Pinguim: Simulacro de Qualidade

    A estreia de Pinguim na plataforma Max foi aguardada, especialmente por fãs do filme Batman, dirigido por Matt Reeves. Como gostei da abordagem de Reeves, a curiosidade em acompanhar a nova série foi inevitável.

    Logo após o primeiro episódio, fui ao YouTube compartilhar minha opinião sobre o programa. Sem dúvidas, Colin Farrell está excelente no papel principal. No entanto, alguns elogios de outros canais me pareceram desproporcionais. Vi comparações com séries como Os Sopranos e menções à clássica rivalidade entre Marvel e DC, tudo com base em apenas um episódio. Importante destacar que alguns jornalistas e criadores de conteúdo tiveram acesso antecipado à temporada completa, mas estavam sob embargo, impedidos de discutir detalhes até o lançamento de cada episódio. Esse cenário favorece comparações que soam exageradas e apelativas, algo que não teria ocorrido caso o público geral já tivesse acesso a toda a temporada.

    Com o avanço da série, estamos próximos do penúltimo episódio. Embora a popularidade de  Pinguim tenha crescido, minhas críticas também aumentaram. A série está longe de ser extraordinária e, se quero assistir a algo no nível de Os Sopranos ou Breaking Bad, escolho diretamente essas produções.  Pinguim não apresenta reviravoltas impressionantes e, semana após semana, parece seguir uma fórmula de “episódio da semana”: um plano novo, um problema semanal, o que torna a série repetitiva e, em alguns momentos, cansativa.

     Atualmente, com tantas opções de séries e filmes, destacar-se exige qualidade real. Infelizmente, o hype em torno de Pinguim parece derivar mais da escassez de lançamentos populares do que de um conteúdo inovador. A série, no entanto, ganhou espaço no meio nerd, embora sem o impacto de produções como Wandinha ou Round 6. Não se trata de menosprezar o trabalho: nem sempre o destaque implica genialidade. Aliás, muitos programas populares carregam uma aura de grandeza sem necessariamente merecê-la. 

    Decidi, então, procurar uma alternativa de qualidade e encontrei Slow Horses, no Apple TV+. A série, que já estava no meu radar, é perfeita para os apreciadores do gênero de espionagem e, ainda melhor, conta com o talento de Gary Oldman. Baseada nos livros de Mick Herron, Slow Horses se passa em um departamento problemático do MI5, comandado pelo brilhante e rabugento Jackson Lamb (Oldman). Sua equipe de agentes marginalizados precisa provar seu valor ao enfrentar uma ameaça real. Entre intrigas, traições e conflitos do passado, o grupo improvável de Slow Horses tenta não apenas salvar o país, mas também redimir suas próprias histórias.

    Com uma narrativa consistente, Slow Horses destaca-se por não seguir o formato “episódio da semana” que vemos em Pinguim. A série possui ganchos excelentes que mantêm o espectador envolvido e, ao final de cada temporada, já lança um trailer da próxima, aumentando a expectativa. Com seis episódios de uma hora bem construídos, a produção entrega um desenvolvimento ágil e atuações de alto nível, com Oldman sendo o grande destaque.

    O problema é que a Apple TV+ ainda passa despercebida pelo público, apesar de seu catálogo de qualidade. Muitas vezes considerada apenas "mais um streaming", a plataforma não recebe a atenção devida, o que deixa séries como Slow Horses escondidas, enquanto produções medianas ganham mais destaque em plataformas populares. Esse fenômeno não é exclusivo da Apple. A própria Max enfrenta essa situação com algumas de suas séries. True Detective é um exemplo: com uma primeira temporada que, sem exagero, figura entre as melhores produções da década passada, o show protagonizado por Matthew McConaughey e Woody Harrelson permanece desconhecido para muitos.

    Slow Horses segue adaptando os livros de Mick Herron. A quinta temporada, atualmente em fase de pós-produção, adapta o quinto livro da franquia, intitulado London Rules. O plano é que a série e os livros totalizem nove aventuras. Um fato curioso sobre o show é que os livros ainda não foram traduzidos para o português. Considerando o sucesso da produção, surpreende que essas obras não tenham chegado ao Brasil.