Em 1945, o mundo respirava aliviado com o fim da Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte, nascia a ONU, prometendo tempos de paz. Mas, no campo cultural, as coisas eram um pouco mais complicadas. Os quadrinhos, antes vistos como uma forma de escapismo durante a guerra, começaram a perder força, sendo tachados de infantis e irrelevantes. Foi nesse cenário que um dos maiores cineastas da história teve uma ideia que poderia ter mudado tudo.
Orson Welles já era um nome lendário. Depois de causar pânico com sua transmissão de A Guerra dos Mundos no rádio em 1938 e revolucionar o cinema com Cidadão Kane em 1941, ele buscava um novo desafio. E ele encontrou nos quadrinhos. Mas essa história só veio à tona décadas depois, graças ao trabalho de Lionel Hutton, um historiador de cinema que, ao vasculhar os arquivos de Welles, encontrou notas de produção, cartas de elenco e até um esboço de roteiro de um suposto filme do Batman.
A proposta era ousada: transformar o Cavaleiro das Trevas em um épico noir, com fotografia expressionista e um elenco digno das maiores produções de Hollywood. Para o Coringa, Welles queria ninguém menos que Basil Rathbone, famoso por interpretar vilões em As Aventuras de Robin Hood e A Marca do Zorro—filme que, curiosamente, foi estabelecido nos quadrinhos como o último que os pais de Bruce Wayne assistiram antes de serem assassinados. O Charada seria interpretado por James Cagney, lendário astro de filmes policiais como Inimigo Público, enquanto o papel de Duas-Caras, recusado por Humphrey Bogart, ficaria com George Raft, que tinha fama tanto dentro quanto fora das telas por sua ligação com o submundo do crime. E para a Mulher-Gato? Marlene Dietrich, a musa de O Anjo Azul, trazendo um ar de mistério e sofisticação à personagem.
Mas nada disso foi para frente, e a culpa não foi de problemas técnicos ou falta de orçamento. O verdadeiro impasse veio com a escolha do protagonista. Welles estava convencido de que ninguém poderia interpretar Batman melhor do que ele mesmo. Mas os executivos da Warner Bros. pensavam diferente. Para eles, o papel deveria ser de Gregory Peck. O choque de egos foi inevitável, e o projeto foi engavetado antes mesmo de ganhar vida.
No fim, o Batman de Orson Welles nunca aconteceu, mas a ideia de um filme noir do herói ficou para sempre no imaginário dos fãs. Um daqueles grandes "E se?" da história do cinema.
Feliz Primeiro de Abril! 🦇